Decapando até debaixo d'água (Local: Palhoça, SC; foto: L. Duran, 2008)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Prática controversa na República Dominicana

Clique no título para detalhes

Notícia sobre práticas oficiais de exploração do Patrimônio Cultural Subaquático.
Sem dúvida vai na contra-mão da Convenção da UNESCO de 2001 sobre a Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Preservação dos Tototós de Aracaju, SE

Clique no título para detalhes
Boa notícia para os sergipanos: os barcos que fazem a travessia de Aracaju para Barra dos Coqueiros, popularmente conhecidos por Tototós (em razão do barulho dos motores) serão classificados como patrimônio do estado.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Arqueo Sub Nova - Naufrágios localizados durante dragagem em Ribadeo, Espanha

Clique no título da postagem para mais detalhes.

A localização de grande quantidade de naufrágios, dentre eles uma embarcação seiscentista do norte da Europa, foi possível graças aos trabalhos voltados à elaboração de uma carta arqueológica da costa de Lugo, Galícia, Espanha, financiado pelos governos provincial e nacional.

Destaque é dado para o fato de que, na mesma 'ría' - o que seria um ambiente estuarino/ lagunar para nós - de Ribadeo, durante o acompanhamento arqueológico de trabalhos de dragagem foram localizados vestígios de madeira e chumbo que correspondem a pelo menos um navio afundado, que pode ser um galeão.
  
Note-se que os vestígios apareceram no talude de área que não estava sendo escavada pela primeira vez, o que reforça a necessidade da implementação de monitoramentos arqueológicos durante esse tipo de empreendimento, mesmo em zonas já impactadas por escavações anteriores, pois sempre há a possibilidade do equipamento ter que retificar as laterais da área dragada para minimizar os efeitos dos escorregamentos de sedimentos que rolam das porções mais rasas do fundo marinho.

Arqueo Sub Dica - Thames Discovery Program

Clique no título da postagem para visualizar o site.

Importante programa de arqueologia desenvolvido no rio Tâmisa, na Inglaterra. Note-se que muitos dos registros são feitos sem mergulho e com a ajuda de voluntários.
Prova cabal de que a arqueologia dos ambientes úmidos não precisa de 'rios' de recursos para funcionar bem.

Dá para acompanhá-los no Facebook e no Twitter também.

Arqueo Sub Novas - preservação de naufrágio da Guerra Civil na Flórida

Clique no título da postagem para detalhes.

Naufrágio de pequena embarcação utilizada na Guerra Civil norte-americana, ocorrido depois do conflito, em 1866, pode se transformar no 12º. sítio arqueológico subaquático integrante do 'Florida's Underwater Preserve Program'. Interessante notar que há uma ação coordenada entre Estado, Forças Armadas, instituições científicas e a comunidade do mergulho.

Mais notícias relacionadas:

http://www2.tbo.com/news/news/2012/jan/04/union-warships-profile-rising-ar-343382/

Nesta notícia é interessante perceber que a Marinha abriu uma concessão inédita para a proteção 'civil' do sítio, pois ela o considera um túmulo de guerra onde pereceu toda a tripulação.
A despeito do fato se desenrolar no estado onde aconteceu toda a querela do Atocha, nos anos 80, este é um bom exemplo de que pode haver solução preservacionista para os sítio submersos sem medidas de restrição ao mergulho ou a comercialização de seus despojos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ainda o canhão do Itabapoana

O Rodrigo Torres, colega de profissão e ora doutorando na Texas A&M University, nos EUA, coloca boas perguntas sobre a identificação do canhão utilizado para amarração em Barra do Itabapoana, RJ, tema da última postagem deste Blog.
A primeira pergunta se refere sobre a forma de carregar a arma. O canhão é de antecarga, ou seja, de carregar pela boca. Canhões de carga pela culatra - tais como são municiados os canhões contemporâneos - são peças menos elaboradas do que esta, muito embora o padrão Armstrong já seja bastante 'limpo' para sua época. Também não foram identificadas raias na boca do cano, o que indica a idade da peça. Na segunda metade do século XIX, praticamente não mais eram fabricados canhões de cano liso, principalmente a partir das décadas de 1860-1870, época em que começaram a se popularizar os canhões de carregar pela culatra.  
Continuando, como a maior parte da peça do Itabapoana está enterrada - justamente a porção que daria mais informações sobre ela - identifiquei-a pela simples comparação com outras, tais como as existentes em São Sebastião e Cananéia, no litoral norte e sul de SP, respectivamente. Outro fator que leva a considerar o canhão do Itabapoana como sendo do padrão Armstrong é a imensa difusão que esse tipo de peça de artilharia teve no litoral brasileiro no início do século XIX.
Infelizmente o estado de conservação do canhão de Barra do Itabapoana não é dos melhores, o que não garante a certeza absoluta de identificação. Mas vejamos as similaridades.
Antes, eis uma taxionomia dos canhões de antecarga publicada no periódico 'O Arqueólogo Português' (lamento ter esquecido o ano e o número, mas quem quiser pode procurar na minha dissertação de mestrado) para facilitar a compreensão:

O canhão do Itabapoana tem a tulipa e a bolada característica do padrão Armstrong, como pode ser depreendido a partir das imagens dos canhões abaixo:

Canhão de Barra do Itabapoana;

Este é um dos canhões da praça central de Cananéia, fotografado por mim em 2000. Destaque para a linha transversal que forma o bocel da tulipa, bastante parecido com o do canhão do Itabapoana.

Já este é um dos canhões de São Sebastião, do mesmo padrão do de Cananéia, também fotografado por mim em 2000. Note-se o bocel da bolada, a linha transversal próxima à moldura do 2º reforço, à altura do munhão. Aparentemente o canhão do Itabapoana possui um indício do bocel da bolada, praticamente desaparecido em razão de séculos da fricção das amarras dos barcos.
Bom, este é um tema que rende bastante e daria para continuar abordando diversos outros aspectos do assunto. Como eu disse antes, não dá para ter certeza absoluta da identidade da peça, mas todos os indícios levam a crer que ela seja mesmo desse padrão.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ArqueoSub Dicas: Barra do Itabapoana, RJ

Barra do Itabapoana é um distrito do município de São Francisco de Itabapoana. Como o nome sugere, fica na margem direita do rio Itabapoana. A margem esquerda do rio já pertence ao Espírito Santo.
Barra possui um pequeno, mas ativo porto pesqueiro, o qual remonta aos tempos coloniais, certamente. Digo isso em razão das evidências que o cercam, do patrimônio cultural materializado em suas ruas, nas margens do rio e na zona rural. Dentre elas se destaca uma que, possivelmente é a única remanescente do tipo no Brasil: um canhão de antecarga, enterrado no muro do antigo cais principal da localidade, que serve até hoje para a amarração das embarcações.




É um canhão inglês, provavelmente de calibre 12, e do tipo Armstrong, padrão que vigorou entre as décadas de 1720 e 1790 nas forças armadas do império britânico. No início do século XIX, milhares deles, já imprestáveis para as forças inglesas, foram vendidos para as marinhas e os exércitos da América do Sul, o que inclui o Brasil. Como resultado dessa distribuição maciça das peças de padrão Armstrong, muitas das cidades litorâneas do país possuíam, na década de 1820, pelo menos uma peça desse tipo para a defesa de seus portos.
Com a obsolecência desse armamento, ficava um problema: o que fazer com essa montanha de ferro que não poderia ser 'reciclada', em razão do excesso de enxofre em sua composição? Muitos foram jogados no mar, outros enterrados e alguns outros utilizados para a amarração de embarcações, pois seriam perfeitos para a tarefa quando parcialmente infincados no cais. Eu já havia visto fotos antigas com os canhões utilizados dessa maneira, mas julgava que esses arranjos hoje não mais existissem.
E o mais interessante de tudo: o canhão continua sendo utilizado para a amarração das embarcações! Isso sim é um bom exemplo do uso social do patrimônio arqueológico histórico! 

domingo, 25 de dezembro de 2011

ArqueoSub Dica para quem vai viajar para a Espanha

Clique no título da postagem para mais detalhes.

Exposição sobre artes de pesca andaluzes e as influências fenícias e romanas nela.

Novas ArqueoSub: naufrágio da era moderna localizado no Sri Lanka

Clique no título da postagem para detalhes.

Arqueólogos da Unidade de Arqueologia Subaquática do Sri Lanka localizaram vestígios de um naufrágio português ou holandês há 2 km da costa, aos 9 metros de profundidade.

ArqueoSub Dicas: porto de Registro, SP

Mais fotos de 2007, retratando outro porto que também não foi incluído na minha tese. Continuando pelo rio Ribeira, temos a cidade de Registro, onde existia igualmente um porto fluvial. Entretanto, diferentemente de Juquiá, o porto de Registro apresenta estruturas sofisticadas e relativamente modernas para o manejo de carga, feitas em concreto e equipadas com gruas mecânicas.





O porto fica em frente à fábrica de beneficiar arroz, construída em 1912 pela KKKK - Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha - uma sociedade colonizadora japonesa que funcionou até 1937. Os galpões da fábrica, tombados pelo estado em 1987, abrigam o Centro de Formação Continuada de Gestores da Secretaria de Estado da Educação e o Memorial da Imigração Japonesa.


Infelizmente, as estruturas do porto ficaram separadas da área restaurada da KKKK por um muro de contenção das enchente.