Decapando até debaixo d'água (Local: Palhoça, SC; foto: L. Duran, 2008)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Arqueo Sub Dica - Thames Discovery Program

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Importante programa de arqueologia desenvolvido no rio Tâmisa, na Inglaterra. Note-se que muitos dos registros são feitos sem mergulho e com a ajuda de voluntários.
Prova cabal de que a arqueologia dos ambientes úmidos não precisa de 'rios' de recursos para funcionar bem.

Dá para acompanhá-los no Facebook e no Twitter também.

Arqueo Sub Novas - preservação de naufrágio da Guerra Civil na Flórida

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Naufrágio de pequena embarcação utilizada na Guerra Civil norte-americana, ocorrido depois do conflito, em 1866, pode se transformar no 12º. sítio arqueológico subaquático integrante do 'Florida's Underwater Preserve Program'. Interessante notar que há uma ação coordenada entre Estado, Forças Armadas, instituições científicas e a comunidade do mergulho.

Mais notícias relacionadas:

http://www2.tbo.com/news/news/2012/jan/04/union-warships-profile-rising-ar-343382/

Nesta notícia é interessante perceber que a Marinha abriu uma concessão inédita para a proteção 'civil' do sítio, pois ela o considera um túmulo de guerra onde pereceu toda a tripulação.
A despeito do fato se desenrolar no estado onde aconteceu toda a querela do Atocha, nos anos 80, este é um bom exemplo de que pode haver solução preservacionista para os sítio submersos sem medidas de restrição ao mergulho ou a comercialização de seus despojos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ainda o canhão do Itabapoana

O Rodrigo Torres, colega de profissão e ora doutorando na Texas A&M University, nos EUA, coloca boas perguntas sobre a identificação do canhão utilizado para amarração em Barra do Itabapoana, RJ, tema da última postagem deste Blog.
A primeira pergunta se refere sobre a forma de carregar a arma. O canhão é de antecarga, ou seja, de carregar pela boca. Canhões de carga pela culatra - tais como são municiados os canhões contemporâneos - são peças menos elaboradas do que esta, muito embora o padrão Armstrong já seja bastante 'limpo' para sua época. Também não foram identificadas raias na boca do cano, o que indica a idade da peça. Na segunda metade do século XIX, praticamente não mais eram fabricados canhões de cano liso, principalmente a partir das décadas de 1860-1870, época em que começaram a se popularizar os canhões de carregar pela culatra.  
Continuando, como a maior parte da peça do Itabapoana está enterrada - justamente a porção que daria mais informações sobre ela - identifiquei-a pela simples comparação com outras, tais como as existentes em São Sebastião e Cananéia, no litoral norte e sul de SP, respectivamente. Outro fator que leva a considerar o canhão do Itabapoana como sendo do padrão Armstrong é a imensa difusão que esse tipo de peça de artilharia teve no litoral brasileiro no início do século XIX.
Infelizmente o estado de conservação do canhão de Barra do Itabapoana não é dos melhores, o que não garante a certeza absoluta de identificação. Mas vejamos as similaridades.
Antes, eis uma taxionomia dos canhões de antecarga publicada no periódico 'O Arqueólogo Português' (lamento ter esquecido o ano e o número, mas quem quiser pode procurar na minha dissertação de mestrado) para facilitar a compreensão:

O canhão do Itabapoana tem a tulipa e a bolada característica do padrão Armstrong, como pode ser depreendido a partir das imagens dos canhões abaixo:

Canhão de Barra do Itabapoana;

Este é um dos canhões da praça central de Cananéia, fotografado por mim em 2000. Destaque para a linha transversal que forma o bocel da tulipa, bastante parecido com o do canhão do Itabapoana.

Já este é um dos canhões de São Sebastião, do mesmo padrão do de Cananéia, também fotografado por mim em 2000. Note-se o bocel da bolada, a linha transversal próxima à moldura do 2º reforço, à altura do munhão. Aparentemente o canhão do Itabapoana possui um indício do bocel da bolada, praticamente desaparecido em razão de séculos da fricção das amarras dos barcos.
Bom, este é um tema que rende bastante e daria para continuar abordando diversos outros aspectos do assunto. Como eu disse antes, não dá para ter certeza absoluta da identidade da peça, mas todos os indícios levam a crer que ela seja mesmo desse padrão.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ArqueoSub Dicas: Barra do Itabapoana, RJ

Barra do Itabapoana é um distrito do município de São Francisco de Itabapoana. Como o nome sugere, fica na margem direita do rio Itabapoana. A margem esquerda do rio já pertence ao Espírito Santo.
Barra possui um pequeno, mas ativo porto pesqueiro, o qual remonta aos tempos coloniais, certamente. Digo isso em razão das evidências que o cercam, do patrimônio cultural materializado em suas ruas, nas margens do rio e na zona rural. Dentre elas se destaca uma que, possivelmente é a única remanescente do tipo no Brasil: um canhão de antecarga, enterrado no muro do antigo cais principal da localidade, que serve até hoje para a amarração das embarcações.




É um canhão inglês, provavelmente de calibre 12, e do tipo Armstrong, padrão que vigorou entre as décadas de 1720 e 1790 nas forças armadas do império britânico. No início do século XIX, milhares deles, já imprestáveis para as forças inglesas, foram vendidos para as marinhas e os exércitos da América do Sul, o que inclui o Brasil. Como resultado dessa distribuição maciça das peças de padrão Armstrong, muitas das cidades litorâneas do país possuíam, na década de 1820, pelo menos uma peça desse tipo para a defesa de seus portos.
Com a obsolecência desse armamento, ficava um problema: o que fazer com essa montanha de ferro que não poderia ser 'reciclada', em razão do excesso de enxofre em sua composição? Muitos foram jogados no mar, outros enterrados e alguns outros utilizados para a amarração de embarcações, pois seriam perfeitos para a tarefa quando parcialmente infincados no cais. Eu já havia visto fotos antigas com os canhões utilizados dessa maneira, mas julgava que esses arranjos hoje não mais existissem.
E o mais interessante de tudo: o canhão continua sendo utilizado para a amarração das embarcações! Isso sim é um bom exemplo do uso social do patrimônio arqueológico histórico! 

domingo, 25 de dezembro de 2011

ArqueoSub Dica para quem vai viajar para a Espanha

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Exposição sobre artes de pesca andaluzes e as influências fenícias e romanas nela.

Novas ArqueoSub: naufrágio da era moderna localizado no Sri Lanka

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Arqueólogos da Unidade de Arqueologia Subaquática do Sri Lanka localizaram vestígios de um naufrágio português ou holandês há 2 km da costa, aos 9 metros de profundidade.

ArqueoSub Dicas: porto de Registro, SP

Mais fotos de 2007, retratando outro porto que também não foi incluído na minha tese. Continuando pelo rio Ribeira, temos a cidade de Registro, onde existia igualmente um porto fluvial. Entretanto, diferentemente de Juquiá, o porto de Registro apresenta estruturas sofisticadas e relativamente modernas para o manejo de carga, feitas em concreto e equipadas com gruas mecânicas.





O porto fica em frente à fábrica de beneficiar arroz, construída em 1912 pela KKKK - Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha - uma sociedade colonizadora japonesa que funcionou até 1937. Os galpões da fábrica, tombados pelo estado em 1987, abrigam o Centro de Formação Continuada de Gestores da Secretaria de Estado da Educação e o Memorial da Imigração Japonesa.


Infelizmente, as estruturas do porto ficaram separadas da área restaurada da KKKK por um muro de contenção das enchente.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Escavação de navios baleeiros na Austrália

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Dois navios baleeiros do século XIX estão sendo escavados em Bunbury, na Austrália Ocidental. Os trabalhos podem ser acompanhados a partir do site:
www.carparkwhalers.com

[Notícia veiculada pelo A Blog About History]

domingo, 27 de novembro de 2011

ArqueoDicas Sub: porto fluvial e estação de trem de Juquiá, SP

Estas fotos são de 2007, tiradas durante um levantamento de campo para o meu doutorado, do qual também participou o arqueólogo Leandro Duran. No final das contas não utilizei o material para a tese e já não é sem tempo divulgar o material para que outros possam eventualmente se inspirar em desenvolver trabalho na mesma linha.
As fotos são da estação ferroviária de Juquiá e do porto fluvial, anexo à ela. A estação fazia parte da Southern São Paulo Railway, ferrovia que ligava o porto de Santos a Juquiá e que ficou pronta em 1915.




Para quem quiser mais informações pode acessar o excelente site:

http://www.estacoesferroviarias.com.br/j/juquia.htm

Essa ferrovia provocou uma inversão no eixo de circulação das mercadorias do vale do Ribeira. Ao invés da produção seguir do alto e médio Vale, por via fluvial, para o porto marítimo de Iguape, para depois seguir para o Rio de Janeiro, Santos ou Paranaguá (praças de comércio principais, com grande destaque para o Rio), os produtos do Vale passaram e ser encaminhados, por via fluvial, para Juquiá e de lá para o porto de Santos pelo trem, ocasionando uma perda de dinamismo do comércio de Iguape, que durante o século XIX havia sido uma importante praça de comércio marítimo. Trocando em miúdos, antes de 1915 os barcos desciam o rio carregados; depois eles passaram a subir o rio carregados.
Mas esse fluxo comercial não dependia somente da ferrovia. Era absolutamente vital uma ligação fluvial minimamente confiável entre Eldorado, grande produtora de arroz, e Iguape até Juquiá. E isso só poderia ser feito através da navegação a vapor realizada pela Companhia de Navegação Fluvial Sul Paulista.
E para que as mercadorias transportadas pelo rio chegassem de forma rápida e segura até o trem era necessário um porto que permitisse o transbordo dos produtos. Vale destacar que no caso do transporte de arroz não poderia haver contato do produto com a água, com risco de apodrecimento do mesmo.

 Escadaria que dá acesso ao rio Ribeira, vista a partir da rua da estação.

A escadaria, vista a partir da beira do rio.

 Peças para a amarração das embarcações.

 A estação, vista a partir do final da escadaria.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Novas informações sobre comércio entre Portugal e a Madeira nos séculos XVI e XVII

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A origem da colonização do arquipélago da Madeira é portuguesa, mas novos achados estão esmiuçando como se davam os contatos entre Portugal e as ilhas nos primeiros séculos da colonização. Análises arqueométricas de fragmentos de uma forma de pão-de-açúcar indicam que ela foi modelada não em Lisboa, mas em Aveiro, ao contrário do que se pensava antes.